A Diretoria do ANDES-SN manifesta seu veemente repúdio aos ataques proferidos pelo presidente estadual do PL no Acre, João Paulo Bittar, que, em ato de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, chamou a comunidade acadêmica da Universidade Federal do Acre de “bando de vagabundo”.
Vivemos um dos momentos mais delicados desde a redemocratização. Em uma conjuntura internacional e nacional marcada pela ascensão de governos de extrema direita que elegem como alvos prioritários a educação, o conhecimento, a ciência, as artes e a diversidade — tudo aquilo que sintetiza o papel de nossas universidades e institutos federais —, a Ufac tornou-se alvo direto.
A conduta se soma a uma escalada nacional. Como temos denunciado, os setores reacionários vêm recorrendo a práticas de amordaçamento de nossas instituições. Toda a comunidade acadêmica, bem como o tripé ensino-pesquisa-extensão, encontra-se sob ameaça, pois a extrema direita não tolera que o principal espaço de produção de conhecimento do país seja também um espaço de defesa intransigente das liberdades democráticas e da livre manifestação do pensamento.
O ocorrido no Acre replica o episódio registrado na Universidade Regional do Cariri (URCA), quando uma médica negacionista alinhada ao bolsonarismo, acompanhada de um ex-ministro da Saúde também associado ao negacionismo — a quem atribuímos responsabilidade política pela condução negacionista da pandemia, que contribuiu para milhares de mortes — arrancou cartazes na universidade e chamou a comunidade acadêmica de “vagabunda”.
É evidente que querem amordaçar nossas instituições, mas não aceitaremos, caladas e calados, essa conduta neofascista. A fala de Bittar integra um projeto político que busca deslegitimar a universidade pública para justificar o corte de verbas, o desmonte e a privatização.
Ao falar novamente, em suposta retratação, o presidente do PL reafirmou a ofensa destacando que vagabundos seriam os estudantes militantes, cometendo assim, dupla agressão: generaliza o ataque contra toda a universidade e tenta criminalizar e estigmatizar o movimento estudantil e suas formas de organização.
Toda a nossa solidariedade à comunidade da Ufac e a todas as instituições de ensino alvo da violência bolsonarista. Em defesa da universidade pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada, da ciência e das liberdades democráticas!
Brasília, 21 de outubro de 2026.
Diretoria do ANDES-Sindicato Nacional