Delegação do ANDES-SN participa de Congresso Internacional de Universidades Públicas na Argentina

Publicado em 05 de Julho de 2022 às 14h23. Atualizado em 05 de Julho de 2022 às 16h39
Ciup2022 ocorreu na Universidade de Córdoba, local da revolta que resultou na Reforma de Córdoba, em 1918.
Foto: Universidades Hoy

Uma delegação composta por representantes da diretoria do ANDES-SN participou nos dias 30 de junho e 01 de julho do Congresso Internacional de Universidades Públicas (Ciup2022), em Córdoba, na Argentina. No dia anterior ao evento, diretoras e diretores se reuniram com a diretoria do Sindicato de Docentes da Universidade Nacional de Córdoba.

A participação na atividade atende a uma deliberação do 40º Congresso do ANDES-SN, realizado em março deste ano, que indicou que o Sindicato Nacional reforçará a luta unificada com setores de educação e trabalhadores de outros países, com objetivo de fortalecer os serviços públicos e a educação pública, além de organizar mais dois seminários internacionais.

O encontro foi um espaço de debate e intercâmbio sobre as políticas, ações e rumos da Educação Superior nos próximos anos e teve como temática “Integração, Inovação e Agenda 2030”. O congresso foi organizado pela Universidade Nacional de Córdoba, em parceria com o Ministério de Educação da Argentina e Conselho Interuniversitário Nacional.

A Agenda 2030 da ONU é um plano global que indica 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, os ODS, e 169 metas, para erradicar a pobreza e promover vida digna para todos, dentro dos limites do planeta até 2030. O quarto objetivo de desenvolvimento sustentável se refere à Educação e visa “Garantir o acesso à educação inclusiva, de qualidade e equitativa, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos”.

Um dos resultados do Ciup2022 foi a proposta, apresentada pelas universidades pública da América Latina e Caribe, de criação de um organismo para compartilhar conhecimentos e pesquisas a serviço da sociedade, partindo da compreensão da educação superior como um direito humano e um bem público.

De acordo com Neila de Souza, 1ª vice-presidenta da regional Planalto do ANDES-SN e da coordenação do grupo de trabalho de Política Educacional da entidade, o evento reuniu dirigentes (reitores e pró-reitores), docentes, estudantes, pesquisadores, pesquisadoras, principalmente da América Latina, mas também de outras regiões. E, embora fosse organizado pelo governo e por dirigentes de instituições, contou, ainda, com a participação de representantes de entidades sindicais e movimentos sociais de diversos países.

Do Brasil, além do ANDES-SN, também se presente a Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra). O ANDES-SN esteve representado por Neila de Souza, Sâmbara Ribeiro e Cláudio Mendonça, da coordenação do GTPE do Sindicato Nacional, e por Osvaldo Coggiola, encarregado de Assuntos Internacionais da entidade.

A diretora do ANDES-SN contou que diversos debates abordaram a relação entre Estado, Universidades e Sociedade. “Um tema recorrente foi a Educação como um direito humano e o conhecimento como bem público, gratuito e acessível a todos”, acrescentou. Ela destacou que, nessa perspectiva de inclusão, também estiveram presentes representantes de nações e povos indígenas, apresentando questões que afetam diretamente suas comunidades.

Neila comentou que a questão do financiamento e seu atrelamento às políticas de governo e não de Estado, foi apontada como problemática, com a proposta de criação de um fundo de financiamento. “Apesar de ter a Educação como direito, o que ficou muito forte em todos os debates, também foi colocada justamente a questão de criar um fundo milionário para desenvolver projetos para além dos governos. Seria então um fundo para desenvolvimento das universidades, para criar agências regionais para financiar pesquisa e desenvolvimento, para não ficar atrelado aos governos”, explicou.

Ainda conforme a coordenadora do GTPE do ANDES-SN, algumas e alguns dirigentes ressaltaram em suas falas que, para pensar as novas possibilidades e mudanças nas universidades públicas, era fundamental a participação de docentes e estudantes no diálogo e elaboração de propostas.

“Outra temática que esteve muito presente é a questão de como se aproveitar as tecnologias existentes e as possibilidades que apontam, incluindo o ensino a distância”, disse.

Segundo Neila, o acúmulo do debate nos dois dias de Congresso será apresentado e debatido na reunião do GTPE e outros espaços do Sindicato Nacional. “Foi também uma oportunidade de reafirmar, perante outras entidades que debatem a universidade pública, os princípios defendidos pelo ANDES-SN em seu Caderno 02, de uma universidade pública, gratuita e de qualidade socialmente referenciada”, acrescentou.

Córdoba e a reforma universitária
A Universidade Nacional de Córdoba foi palco, a pouco mais de 100 anos, de uma revolta do movimento estudantil, com apoio da classe trabalhadora, que resultou na chamada reforma de Córdoba. O movimento e seu saldo são considerados um marco na história das universidades latino-americanas por ser pioneira na construção de um modelo institucional que atribuiu uma identidade e um modelo de atuação renovado no ensino superior.

As mudanças promovidas pela reforma são base, até hoje, para os movimentos que defendem a universidade pública na América Latina. Em 2018, no centenário da Reforma, o ANDES-SN realizou, na cidade de Salvador (BA), seu 37º Congresso, com o tema “Em defesa da educação pública e dos direitos da classe trabalhadora. 100 anos da Reforma Universitária de Córdoba”.

Também publicou, em 2019, uma edição da revista Universidade e Sociedade dedicada à temática "A Reforma de Córdoba: permanências e rupturas nas lutas pela educação pública e gratuita". Leia aqui.

Leia também:
Reforma de Córdoba: um marco para o projeto de universidade latino-americana

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