Docentes das universidades estaduais do Maranhão deflagram greve por tempo indeterminado

Atualizado em 25 de Agosto de 2023 às 17h23

Docentes da Universidade Estadual do Maranhão (Uema) e da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (Uemasul) entraram em greve, por tempo indeterminado nessa quinta-feira (24). O primeiro dia de paralisação teve piquete na entrada dos campi das duas universidades e reunião com representantes do governo.

 

Na pauta da categoria docente constam a reivindicação de recomposição integral de 50,28% - referentes às perdas acumuladas entre julho de 2012 e fevereiro de 2023, a nomeação de professoras e professores já aprovados em concurso público, a recomposição dos R$168 milhões remanejados do orçamento das instituições, a remuneração por titulação dos professores substitutos da Uema e vigência imediata das resoluções sobre remuneração dos docentes da Uemasul e a efetivação da autonomia das universidades estaduais.

A paralisação foi decidida em assembleia no dia 17 de agosto, diante do descaso do governo do estado frente às reivindicações da categoria. Há cinco meses, o Sinduema SSind. Protocolou ofício apresentando as demandas da categoria. Desde então, têm realizado diversas atividades, reuniões com parlamentares e representantes da reitoria cobrando a abertura de negociação.

De acordo com Bruno Rogens, presidente do Sindicato de Docentes das Universidades Estaduais Públicas do Maranhão (Sinduema Seção Sindical do ANDES-SN), a participação da categoria no primeiro dia de greve foi além da expectativa. “Houve adesão de, praticamente, 100% dos docentes nos principais campi da Uema e da Uemasul. No campus de São Luís, capital do estado, que é da Uema, nós paralisamos e fizemos um ato público na portaria da universidade, muito forte e participativo, com a presença de professores e estudantes e ampla cobertura da imprensa. Foi um ato muito forte e muito potente. [Nos campi da Uemasul] Em Imperatriz e Açailândia também houve adesão de 100%, assim como em Balsas, campus da Uema. Tivemos ainda uma participação significativa no campus de Caxias, de Timon e Santa Inês. Há perspectiva de adesão de outros campi, que estão entrando em contato conosco. A adesão foi muito boa e está em crescente”, comentou

 

No período da tarde, o Sinduema SSind. foi convidado a participar de uma reunião na secretaria da Casa Civil, do governo do Maranhão. Segundo Rogens, não houve qualquer resposta em relação à recomposição salarial e às outras pautas da categoria. O governo sinalizou apenas que está realizando estudos e que não tem nenhuma contraproposta. Para o dirigente, o ponto positivo do encontro foi o reconhecimento do Sinduema SSind. como representante legítimo das e dos docentes da Uema e Uemasul.

“Até então, estava em curso uma estratégia do governo do Maranhão e da reitoria de tentar excluir o sindicato do processo de negociação política sobre as questões trabalhistas dos professores. Nós revertemos isso e conseguimos participar de uma reunião com o governo e pudemos, inclusive, tratar disso, afirmando a legitimidade, a legalidade e a imposição legal de que o sindicato participe de qualquer reunião de interesse de trabalhadores da categoria. Nesse sentido, foi muito boa. Agora, no ponto de vista da pauta da categoria, foi muito ruim”, comentou.

“Na prática, não houve negociação porque o governo não tem proposta. O que eles fizeram foi convidar o sindicato a participar das reuniões técnicas da secretaria que está fazendo os estudos de reestruturação das carreiras dos servidores do Maranhão. Isso é uma estratégia de ganhar tempo, porque o governador do Maranhão está de licença. E, ficou claro na reunião, que o governo não vai tomar nenhuma decisão enquanto o governador não voltar”, acrescentou. Na avaliação de Rogens, a situação impõe um desafio para a categoria, pois aponta para um processo demorado de negociação.

O presidente do Sinduema SSind. contou, ainda, que houve avanço também na garantia de uma reunião com a Procuradoria da Uema, para resolver a questão do assento da representação da entidade no Conselho Universitário. “Foi acordado haverá uma reunião entre a nossa assessoria jurídica e a procuradoria da Uema para buscar uma solução ao nosso pleito de assento no Conselho Superior”, informou.

Assembleia de deflagração da greve. Fotos: Sinduema SSind.

Após a reunião, a categoria em greve se reunião em assembleia, na qual foi aprovada a continuidade da paralisação e também medidas organizativas como a composição do Comando de Greve e a articulação com demais entidades de servidores estaduais. A luta das professoras e dos professores da Uema e Uemasul tem recebido apoio do movimento estudantil e de demais entidades sindicais e movimentos sociais do Maranhão, que reconhecem a necessidade de valorização salarial, bem como de realização de concursos e recomposição orçamentária das universidades.

“A avaliação geral é de que o primeiro dia de greve foi muito positivo, com uma adesão maior do que esperávamos e com perspectiva de crescimento. Houve uma repercussão muito boa, com muitos apoios de sindicatos e entidades, partidos, organizações sociais. Agora estamos diante de um desafio, porque a greve tende a se estender e vamos ter que que ter muita paciência e muita força para manter a categoria mobilizada”, concluiu Rogens.

* Fotos: Sinduema SSind.

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