Parlamentares do campo progressista são vítimas de ataques de ódio e ameaças de estupro

Publicado em 22 de Agosto de 2023 às 16h33. Atualizado em 22 de Agosto de 2023 às 16h37

Diversas parlamentares têm recebido ataques virtuais como mensagens de ódio e ameaças de estupro, coletivo e corretivo, nas últimas semanas. Em Minas Gerais, duas vereadoras, uma deputada estadual e duas federais relataram terem sido vítimas desse tipo de violência. Ameaças semelhantes foram denunciadas por uma deputada estadual de Pernambuco e uma vereadora do Rio de Janeiro. 

"A intimidação, o constrangimento e a violência política de gênero são armas recorrentes do fascismo e precisam ser enfrentadas com rigor”, afirmou a diretoria do ANDES-SN, em nota divulgada nessa segunda-feira (22), acerca dos crimes. Confira a íntegra da nota.

Assessora do MJ, Tamires Sampaio, a deputada Dandara Tonantzin, a vereadora Cida Falabella, o ministro da Justiça Flávio Dino, a vereadora Iza Lourença e deputada Bella Gonçalves — Foto: Maria Laura Menezes/Divulgação

MG
As vereadoras de Belo Horizonte (MG), Iza Lourença e Cida Falabella (ambas do PSol), foram vítimas de ameaça direcionadas a seus e-mails institucionais na última quinta-feira 17 de agosto. A mensagem, covarde e anônima, trazia ameaças de estupro coletivo contra as parlamentares, incluindo descrições detalhadas da violência. No dia 18, a vereadora Iza Lourença recebeu novas mensagens ameaçadoras, desta vez envolvendo também sua filha de 3 anos de idade. 

"Novas mensagens que ameaçam não só a minha integridade física como a da minha filha de 3 anos. Foram feitas quatro novas ameaças em apenas um dia, com gravidade maior que as anteriores por conter dados pessoais meus e da minha família", escreveu a vereadora, colunista do jornal Brasil de Fato MG.

No comunicado divulgado, Iza Lourença informa que medidas de proteção jurídicas já foram tomadas e que está sendo protegida por escolta da Guarda Municipal. "Somos alvo da violência política de gênero, como tantas outras companheiras parlamentares e ativistas defensoras dos direitos humanos neste país. Os criminosos não deixam dúvidas que nossas vidas são ameaçadas por sermos quem somos e defendermos um projeto político coletivo de esquerda e democrático", completou.

Além de Iza Lourença e Cida Falabella, a deputada estadual Bella Gonçalves (PSol/MG) e as deputadas federais Dandara Tonantzin (PT/MG) e Duda Salabert (PDT/MG) também vêm recebendo ameaças de morte, estupro coletivo e intimidação. O Ministério Público e os Ministérios da Justiça e Segurança Pública, e de Direitos Humanos e Cidadania, e da Igualdade Racial já foram acionados pelas parlamentares.

“A autoria das mensagens é do Comando de Caça aos Comunistas de Minas Gerais (CCC-MG), em referência à uma organização paramilitar da década de 1960. Os textos também fazem exaltação ao Coronel Brilhante Ustra, condenado pela Justiça por torturar pessoas durante a ditadura cívico-militar brasileira”, comentou, em nota, da deputada federal Dandara Tonantzin.

A deputada estadual do Pernambuco, Rosa Amorim. Foto: Roberto Soares/Alepe

PE
A deputada estadual Rosa Amorim (PT/PE) também denunciou ter recebido, em seu e-mail institucional, ameaça de 'estupro corretivo' como forma de “cura lésbica”. De acordo com o jornal Brasil de Fato, na mensagem, de conteúdo lesbofóbico, o autor das ameaças insinua saber dados pessoais da parlamentar, como seu endereço. A ameaça acontece justamente no mês da visibilidade lésbica. 

Para Rosa, a ameaça representa uma tentativa de interferir na sua atuação parlamentar e também de outras mulheres que têm sofrido violências como esta. “Diversas deputadas em todo o país vêm recebendo ameaças assim como a que eu recebi, o que demonstra resquícios da política de ódio que vem sendo praticada desde o governo Bolsonaro”, afirma a deputada pernambucana. 

RJ
Ameaças semelhantes foram feitas à vereadora Monica Benicio (PSol/RJ), que divulgou que irá registrar uma queixa-crime na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), nesta terça-feira (22), após receber um e-mail contendo graves ameaças de "estupro corretivo" como forma de "tratamento" para reversão da sua orientação sexual.

Vereadora do Rio de Janeiro, Monica Benicio. Foto: Gibran Mendes/BdF

A ameaça acontece nas vésperas do Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, celebrado em 29 de agosto. Nas redes sociais, Monica lamentou ter que falar sobre a violência em momento tão próximo da data.

“Uma das maiores violências que poderia receber, justamente no mês da Visibilidade Lésbica. É nojento demais, cansativo demais. Amanhã [22] irei prestar queixa, e vou seguir defendendo os direitos de mulheres e de pessoas LGBTs. Não serei calada por nenhum terrorista incel e covarde”, afirmou Monica, em sua conta numa rede social

* Com informações e imagens do Brasil de Fato

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