NOTA DA DIRETORIA ANDES-SN DE REPÚDIO À DESLEGITIMAÇÃO, PELA REITORIA DA UFSB, DE PESQUISA SOBRE DENÚNCIAS DE VIOLAÇÃO DE DIREITOS NO QUILOMBO VOLTA MIÚDA (BA)

NOTA DA DIRETORIA ANDES-SN DE REPÚDIO À DESLEGITIMAÇÃO, PELA REITORIA DA UFSB, DE PESQUISA SOBRE DENÚNCIAS DE VIOLAÇÃO DE DIREITOS NO QUILOMBO VOLTA MIÚDA (BA)

Publicado em 02 de Setembro de 2026 às 15h44

O ANDES-SN manifesta seu veemente repúdio à Nota Oficial publicada pela Reitoria da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), em 29 de agosto de 2026, acerca de vídeos produzidos pelo Laboratório de Estudos sobre Territorialidades, Subjetividade e Saúde (LABTERRASS) da UFSB.

 

Sob o pretexto de uma suposta neutralidade institucional, a Reitoria promove um grave ataque à autonomia acadêmica e à liberdade de pesquisa, ao lançar suspeitas e desqualificar o trabalho desenvolvido por docentes e integrantes de um grupo de pesquisa e extensão da própria universidade.

 

É particularmente grave que essa intervenção ocorra diante de uma produção que dá visibilidade às denúncias da comunidade quilombola do Quilombo Volta Miúda, do município de Caravelas (Bahia) sobre a pulverização irregular de agrotóxicos em seu território. Segundo os relatos da comunidade, a contaminação vem atingindo lavouras, vegetação nativa, animais domésticos e de criação, abelhas e fauna silvestre, além de ameaçar as fontes de água, a soberania alimentar, a saúde e o modo de vida tradicional do povo quilombola.

 

Enquanto a comunidade denuncia a destruição de seu território e exige providências dos órgãos competentes, com apoio do LABTERRASS, a Reitoria da UFSB opta por questionar a produção acadêmica que dá visibilidade a essa realidade. Essa inversão de prioridades é inaceitável.

 

O ANDES-SN rejeita a concepção de uma ciência pretensamente neutra e imparcial. A produção científica é histórica e socialmente situada, atravessada por relações de poder e por diferentes perspectivas de mundo. A defesa do rigor científico não pode ser utilizada para silenciar saberes, experiências e denúncias de povos e comunidades historicamente oprimidos, em favor dos interesses capitalistas de uma das maiores multinacionais produtoras de celulose instalada na região do Quilombo Volta Miúda.

 

A tentativa da Reitoria de estabelecer quais seriam os parâmetros legítimos da produção científica expressa uma concepção colonial do conhecimento, ao deslegitimar pesquisas construídas em diálogo com comunidades tradicionais, movimentos sociais e trabalhadoras e trabalhadores do campo.

 

A Reitoria não é a universidade! A universidade pública é construída por sua comunidade acadêmica e pela sociedade à qual deve responder e servir. Defender a universidade pública é também defender sua responsabilidade social e seu compromisso com os territórios em que está inserida. É defender uma produção científica que esteja a serviço da vida, da justiça ambiental, dos direitos humanos e dos interesses da classe trabalhadora, e não subordinada aos interesses econômicos que ameaçam os territórios e seus povos.

 

Manifestamos nossa solidariedade às e aos docentes e demais integrantes do LABTERRASS, à SindiUFSB e à comunidade do Quilombo Volta Miúda, que denunciam a contaminação de seu território por agrotóxicos e reivindicam justiça socioambiental e proteção de seus direitos.

 

O ANDES-SN permanecerá atento e mobilizado contra toda tentativa de cerceamento da liberdade acadêmica, de constrangimento a docentes e de deslegitimação de pesquisas comprometidas com os povos, as comunidades tradicionais e a classe trabalhadora.

 

Contra a colonialidade do saber!

Por justiça socioambiental e pelo direito aos territórios!

Em defesa dos povos e das comunidades tradicionais e da classe trabalhadora!

Em defesa da universidade pública, democrática e socialmente referenciada!

 

Brasília, 2 de setembro de 2026.

 

 

Diretoria do ANDES-Sindicato Nacional

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