NOTA DE REPÚDIO DA DIRETORIA DO ANDES-SN À MISOGINIA E À VIOLÊNCIA POLÍTICA DE GÊNERO

NOTA DE REPÚDIO DA DIRETORIA DO ANDES-SN À MISOGINIA E À VIOLÊNCIA POLÍTICA DE GÊNERO

Publicado em 27 de Agosto de 2026 às 14h07

O ANDES-Sindicato Nacional vem a público repudiar veementemente as declarações machistas e misóginas proferidas pelo candidato à Presidência da República Renan Santos, representante da extrema direita, durante o debate transmitido no dia 23 de agosto, bem como a reincidência de suas desqualificações públicas dirigidas a Janja Lula da Silva em momentos posteriores.

Ao recorrer a expressões depreciativas, como “aquela Janja”, e tentar qualificá-la como “rainha louca”, o candidato mobiliza um expediente historicamente utilizado para deslegitimar a presença e a voz das mulheres no espaço público: a associação entre mulheres que se manifestam politicamente e supostos atributos de descontrole, desequilíbrio ou irracionalidade. Não se trata, portanto, de uma simples provocação ou de um excesso retórico, mas da reprodução de uma lógica machista que transforma uma mulher em instrumento de ataque político e busca desqualificá-la por meio de estereótipos de gênero.

A misoginia e a violência política de gênero constituem mecanismos históricos de dominação, silenciamento e inferiorização das mulheres. Ao deslocar o debate político para ataques à imagem, à dignidade e à autonomia de uma mulher, esse tipo de discurso contribui para naturalizar a ideia de que mulheres que ocupam ou participam da esfera pública podem ser constrangidas, ridicularizadas e desumanizadas. Trata-se de uma prática que não pode ser normalizada como parte do jogo político nem justificada em nome da liberdade de expressão.

Em um país marcado por índices alarmantes de violência contra as mulheres, aquelas e aqueles que disputam a Presidência da República têm uma responsabilidade pública ainda maior diante da sociedade. O debate político deve ser um espaço de confronto entre projetos e concepções de sociedade, e não de reprodução de preconceitos, ataques misóginos e estratégias de desqualificação baseadas no gênero.

O ANDES-SN reafirma seu compromisso histórico com a defesa dos direitos humanos, da democracia e do enfrentamento a todas as formas de opressão e violência. Reafirma, igualmente, que a participação das mulheres na vida pública é um direito e uma conquista que não podem ser submetidos à lógica do constrangimento, da humilhação ou do silenciamento.

Não aceitaremos a naturalização do machismo, da misoginia e da violência política de gênero nos espaços de debate público.

A violência contra a mulher não é o mundo que a gente quer!

Machistas e misóginos não passarão!

Brasília, 27 de agosto de 2026.

Diretoria do ANDES-Sindicato Nacional

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