A comunidade trans de todo o país ocupou Brasília (DF), no domingo (25), em uma manifestação histórica. A 3ª Marsha Trans Brasil teve como tema central “Brasil Soberano é país sem Transfobia” e reforçou a luta pela vida, por visibilidade e por direitos básicos, como educação, saúde e trabalho digno para pessoas trans e LGBTI+. O ato contou com o apoio institucional e a organização do ANDES-SN, que trouxe à capital federal centenas de docentes e estudantes de diversos estados.
“O ANDES-SN assumiu como tarefa defender as cotas para a população trans e travesti nas universidades, institutos federais e Cefets porque compreendemos que não haverá soberania nacional enquanto o Brasil for um dos países que mais mata a população trans e LGBTI+”, afirmou a 1ª vice-presidenta do Sindicato Nacional, Caroline Lima.
Segundo ela, a agenda é muito importante para o Sindicato Nacional. “Neste ano trouxemos, pela primeira vez, duas caravanas: uma de Salvador e outra do Rio de Janeiro. O ANDES-SN defende a diversidade e entende que a educação pública precisa refletir a diversidade do povo brasileiro. Precisamos continuar lutando contra a LGBTfobia e a transfobia”, complementou.
Para a 2ª vice-presidenta do ANDES-SN, Letícia Carolina, o Sindicato Nacional não poderia ficar de fora da construção de uma marcha tão importante, que marca o início de um ano de eleições e de intensificação das lutas dos movimentos sociais. Além da defesa de cotas para pessoas trans, outro eixo da pauta foi emprego digno.

“Esta é a terceira edição da nossa marcha nacional, marcha por direitos trans, ‘Brasil soberano é Brasil sem transfobia’. O nosso Sindicato Nacional é contra a escala 6x1. Trabalhadores e trabalhadoras precisam de dignidade. Nós precisamos de tempo para descansar. Não é só trabalhar, é vida além do trabalho. Lazer é um direito da classe trabalhadora. Esse projeto é encabeçado pela deputada Erika Hilton (PSL-SP) e grandes personalidades estão na frente dessa luta pelo fim da escala 6x1”, enfatizou.
A manifestação fez parte das ações do Dia Nacional da Visibilidade Trans, celebrado em 29 de janeiro. “Precisamos pautar a luta contra o preconceito à população trans e LGBTI+ em todos os espaços. O ANDES-SN marchou pelo seu projeto de educação, que é antirracista, feminista, é um projeto que apoia a comunidade trans. Vocês sabem por que janeiro é o mês da visibilidade trans? No dia 29 de janeiro de 2004, pela primeira vez, uma comitiva de pessoas trans veio a Brasília lançar, no Congresso Nacional, a campanha ‘Travesti em Respeito’. Naquele momento, o governo convidou a gente para vir e lançar a campanha. Hoje, não. Nesse domingo a gente ocupou Brasília, exigindo nossos direitos, exigindo cidadania. Vamos seguir na luta. Brasil soberano é Brasil sem transfobia. O Sindicato Nacional está nessa luta”, reforçou Letícia.

Lançamento do Dossiê Antra 2026
A Marsha é uma realização da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) e do Instituto Brasileiro de Transmasculinidades (Ibrat). Além do ato, uma extensa programação iniciou no dia 24 e segue até esta terça-feira (27).
Nessa segunda-feira (26), o ANDES-SN participou de diversas atividades no Auditório Freitas Nobre, no Anexo IV da Câmara dos Deputados, entre elas: o Fórum Nacional de Marchas Trans; o II Fórum Nacional de Transmasculinidades Negras e Periféricas; e o Seminário Ativismos e Famílias em defesa das Juventudes Trans.
O lançamento do Dossiê da Antra 2026 também aconteceu na segunda, às 18h, no auditório do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). O documento é uma das principais fontes de dados sobre crimes de transfobia e assassinatos da população trans no Brasil, sendo amplamente utilizado como referência em âmbito nacional e internacional. Já nesta terça (27), às 9h, aconteceu o Seminário sobre Educação OAB Diversidade – na sede da OAB/DF.

Homenagem
A “Marsha Trans Brasil”, grafada com “sh”, é uma homenagem à Marsha P. Johnson, mulher trans, negra e artista drag queen estadunidense, ícone na luta pelos direitos LGBTI+ e ativista de linha de frente da Revolta de Stonewall, em 1969, em Nova York.