Cerca de 83% das africanas e dos africanos não receberam nenhuma dose da vacina contra a Covid-19

Publicado em 08 de Abril de 2022 às 13h34.

A média global chega a um terço de pessoas não imunizadas, segundo a OMS; logística é um dos entraves

Enfermeira se prepara para administrar uma dose da vacina contra a Covid-19 em um centro de saúde em Uganda. Foto: ©Catherine Ntabadde Unicef 

Enquanto no Brasil mais de 75% da população recebeu pelo menos duas doses da vacina contra a Covid-19, em todo o continente africano, 83% das pessoas ainda não tiveram nenhum contato com os imunizantes, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). A média global chega a um terço das pessoas que ainda não recebeu uma única dose da vacina.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, criticou a desigualdade vacinal que privilegiou os países mais ricos, como os da Europa e os Estados Unidos. “Isso não é aceitável para mim e não deve ser aceitável para ninguém. Se os ricos do mundo estão desfrutando dos benefícios da alta cobertura vacinal, por que os pobres não podem desfrutar também? Algumas vidas valem mais do que outras?”, questionou.

Em pouco mais de dois anos, a Covid-19 infectou aproximadamente 485 milhões de pessoas e matou 6 milhões em todo o mundo. A baixa taxa vacinal na África é um risco para todo o planeta por fragilizar o controle da pandemia, facilitando as condições para o surgimento de novas variantes do vírus, mais contagiantes e agressivas.

Para reduzir os impactos da desigualdade no acesso à vacina, a OMS criou a Covax Facility, uma iniciativa de aquisição e distribuição de vacinas contra Covid-19 para os países mais pobres.  A meta de vacinar 2 bilhões de pessoas em 2021 não foi cumprida por problemas de logística em regiões mais vulneráveis e o número ficou em cerca de 905 milhões.

Vacinas vencidas na Nigéria
Um dos países mais atrasados na vacinação contra a Covid-19 é também o mais populoso do continente africano, a Nigéria. Apenas cerca de 3% dos mais de 206 milhões de habitantes recebeu duas doses do imunizante.

Segundo informações da agência de notícias Reuters, o que chama atenção na situação do país é um desperdício de estoque de vacinas vencidas por falta de aplicação, que em dezembro do ano passado chegava a um milhão de doses.

Assim como outros países na África, a Nigéria enfrentou dificuldades para acessar as vacinas no início de 2021 porque os fabricantes priorizaram acordos com países mais ricos e que assinaram acordos previamente. A falta de acordo prévio, inclusive, dificultou o acesso do Brasil ao imunizante no primeiro semestre também.

No segundo semestre, em agosto de 2021, a Nigéria recebeu 700 mil doses da vacina do Reino Unido, 800 mil do Canadá em setembro e outras 500 mil da França em outubro. O país africano também recebeu dos EUA 7,6 milhões de doses. Entretanto, o Ministério da Saúde da Nigéria disse que algumas das vacinas doadas foram entregues próximas ao vencimento, impactando no processo de logística, por isso as vacinas vencidas foram destruídas. Outros países africanos como Malawi e Sudão do Sul passaram pelo mesmo problema.

Para o diretor-geral da OMS, todas as ferramentas disponíveis são necessárias para controlar a pandemia da Covid-19 no mundo. “Podemos impedir a transmissão com máscaras, distanciamento, higiene das mãos e ventilação; e podemos salvar vidas garantindo que todos tenham acesso a testes, tratamentos e vacinas”. A vacinação equitativa continua sendo a ferramenta mais poderosa à disposição do mundo para salvar vidas, lembrou Tedros.

Fonte: Alma Preta Jornalismo, com edição e acréscimos de informações do ANDES-SN

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