Sem amplo debate com a comunidade acadêmica, UFU aprova calendário para ensino remoto

Publicado em 14 de Julho de 2020 às 17h54.
Conselho de Graduação da universidade vetou a participação da Adufu Seção Sindical em reunião que decidiu calendário remoto. Imagem: UFU.br

O Conselho de Graduação da Universidade Federal de Uberlândia (Congrad – UFU) decidiu nessa sexta-feira (10) pela adoção do ensino remoto, em caráter emergencial e provisório, para retomar as atividades de ensino na graduação e pós-graduação.

Na terça-feira (7), ocorreu a primeira reunião do Congrad para discutir a minuta e a participação, com direito a voz, da Associação dos Docentes da UFU (Adufu Seção Sindical do ANDES-SN) foi vetada. Em protesto à proibição ao direito de fala, a diretoria da Adufu SSind decidiu por não participar das reuniões seguintes, na quinta e sexta-feira, que definiu a minuta.

O presidente da Adufu SSind, Sidiney Ruocco, criticou a agilidade com a qual a implementação do ensino remoto foi aprovada na UFU , de forma aligeirada, sem um amplo debate com a comunidade acadêmica e com o veto à manifestação da representação sindical dos docentes.

“Foi um exemplo de muita precipitação, de falta de discussão, tudo isso culminou com o impedimento da participação da Adufu SSind na reunião do Conselho de Graduação. Várias unidades acadêmicas da UFU se manifestaram a favor da participação da Adufu com direito a voz no Congrad, por entenderem que os conselheiros podem não ter um posicionamento consonante com a Adufu, mas que o impedimento à participação [da SSind.] é algo que fere a democracia e o direito ao contraditório”, afirmou.

Para Ruocco, a resolução aprovada em apenas uma semana é um verdadeiro monstro de “Frankenstein”, estruturada de forma confusa e que coloca em risco a qualidade da educação oferecida aos estudantes. 

“Pela quantidade de ‘considerandos’ que a resolução traz, ela já se mostra muito complicada porque tem que explicar demais o que é inadmissível. É uma afronta à qualidade da educação pública, à carreira docente e à empregabilidade dos egressos dos cursos de licenciatura, o que com certeza acontecerá. Nós lamentamos como o processo se deu e vamos combater o ensino remoto de todas as formas possíveis na UFU”, afirmou.

De acordo com o site da UFU, a instituição terá dois períodos letivos especiais, com duração de nove semanas cada. Na primeira etapa, as atividades serão realizadas de 10 de agosto a 10 de outubro. A segunda será realizada de 22 de outubro a 22 de dezembro. A participação dos estudantes e docentes é facultativa.

Arbitrariedades
A comunidade da UFU tem vivenciado vários episódios arbitrários no processo de discussão sobre a adoção do ensino por meios virtuais e sua implementação. Por exemplo, enquanto a instituição representativa da categoria docente foi impedida de participar, com direito a voz, o Pró-Reitor de Extensão, que não é membro do conselho em questão, foi permitido, além de participar sem consulta prévia ao plenário, intervir na condução dos trabalhos.


Em 30 de junho, em uma ação de interferência na autonomia universitária, o representante do Ministério Público Federal na cidade mineira, procurador Cléber Eustáquio Neves, determinou via ofício que a UFU retomasse imediatamente as aulas da graduação, de forma remota.

Em um vídeo, o presidente da Adufu SSind. chamou a atenção para o paralelismo existente entre o ensino remoto e a cloroquina: o ensino remoto, assim como a cloroquina, é mais barato, mas está cercado de indícios que provam a sua ineficácia. Ruocco apontou ainda que, coincidentemente, tanto a Cloroquina quanto o ensino remoto foram recomendados à população de Uberlândia pelo procurador do MPF.

“Muitos governos estão comprando e inserindo em seus protocolos de atendimento o medicamento que não passou por testes para comprovação científica de sua eficácia; muitas reitorias estão implementando o ensino remoto de modo apressado, sem debate amplo nas Unidades Acadêmicas, colocando em risco toda a comunidade universitária. Para alguns, o ensino remoto seria justificável em um contexto emergencial, mas, em longo prazo, assim como a cloroquina, pode gerar efeitos colaterais graves para a educação pública”, ressaltou Ruocco.

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