O ANDES – Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior manifesta seu mais veemente repúdio ao leilão realizado em 30 de março de 2026, na B3, que definiu a entrega da gestão de infraestrutura e serviços de 95 escolas públicas da rede estadual de Minas Gerais à iniciativa privada. A concessão, por meio de Parceria Público-Privada (PPP), tem validade pelo período de 25 anos.
O certame foi vencido pelo fundo IG4 BTG Pactual Health Infra, que assumirá a administração de serviços essenciais ao funcionamento das unidades escolares, como manutenção predial, limpeza, vigilância, tecnologia da informação e operação de infraestrutura, mediante contrato que prevê bilhões de reais em recursos públicos ao longo de sua vigência.
Ainda que o governo estadual alegue que os serviços pedagógicos permanecerão sob responsabilidade do poder público, é inaceitável a fragmentação da escola pública e a transferência de sua gestão material e estrutural para agentes privados, subordinados à lógica do lucro e da financeirização. A chamada “gestão não pedagógica” constitui parte indissociável do processo educativo, sendo fundamental para a garantia das condições de ensino e aprendizagem.
A medida aprofunda o processo de privatização da educação pública, convertendo direitos sociais em nichos de mercado e transformando a escola em espaço de exploração econômica. Trata-se de mais um passo na consolidação de um modelo de Parcerias Público-Privadas que subordina o fundo público aos interesses de grandes grupos financeiros, abrindo caminho para a ampliação desse modelo em outros estados e setores da educação.
É particularmente grave que a gestão das escolas seja transferida a um fundo de investimentos com atuação em áreas como saúde e infraestrutura, evidenciando a constituição de um novo campo de negócios que trata a educação como ativo financeiro e oportunidade de rentabilidade.
O ANDES-SN alerta que experiências dessa natureza tendem a:
Ao destinar aproximadamente R$ 5,1 bilhões em investimentos ao longo de 25 anos e assegurar contraprestações públicas mensais ao parceiro privado, o Estado de Minas Gerais explicita uma opção política: ao invés de fortalecer a gestão pública direta e investir na valorização das(os) trabalhadoras(es) da educação, opta por transferir recursos públicos ao capital privado.
O ANDES-SN reafirma que a educação é um direito social e dever do Estado, não podendo ser tratada como mercadoria ou campo de experimentação de modelos privatistas.
Diante desse cenário, o ANDES – Sindicato Nacional:
Não à privatização da educação pública!
Escolas não são mercadoria!
Pela defesa intransigente da educação pública, gratuita, presencial e socialmente referenciada!
Brasília, 1º de abril de 2026.
Diretoria do ANDES – Sindicato Nacional