MEC destitui reitor interventor da UFDPar e nomeia novo gestor temporário para o cargo

Publicado em 31 de Janeiro de 2023 às 15h53. Atualizado em 31 de Janeiro de 2023 às 15h54
É a segunda dispensa da pasta no mês; Sob governo Bolsonaro, mais de 20 instituições federais de ensino - entre universidades, institutos e centros federais - sofreram intervenção. Divulgação / UFDPar

O Ministério da Educação destituiu, na última quinta-feira (26), o reitor interventor Alexandre Marinho Oliveira, da Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar). A portaria n°69/2023 assinada pelo ministro da pasta, Camilo Santana, foi publicada no Diário Oficial da União.

No seu lugar, foi nomeado como reitor pro tempore, João Paulo Sales Macedo, membro da diretoria da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Piauí (Adufpi) - Seção Sindical do ANDES-SN - Regional Parnaíba. O novo reitor terá como uma das suas atribuições a viabilização do processo democrático de escolha das pessoas que ocuparão a reitoria e a vice-reitoria da UFDPar.

Em nota à comunidade, o reitor pro tempore afirmou que fortalecerá a democracia, a autonomia, a participação e a transparência na UFDPar. "Nomeada a nova equipe de trabalho, buscaremos juntos dialogar com as instâncias colegiadas, docentes, técnicos-administrativos, discentes e trabalhadores(as) terceirizados(as) para uma compreensão aprofundada da situação administrativo-financeira e acadêmica da nossa instituição, estabelecendo de forma coletiva as prioridades e compartilhando estratégias para o enfrentamento dos desafios de agora e futuros, promovendo a ampla participação na construção de uma universidade autônoma, propositiva, criativa e democrática", disse.

Essa é a segunda dispensa de reitores interventores feita pelo MEC neste ano. No dia 17 de janeiro, o interventor da Universidade do Vale do São Francisco (Univasf), Paulo César Fagundes, que ocupava o cargo de reitor pro tempore foi removido do cargo. O ministro da pasta designou para o cargo, temporariamente, o professor Julianeli Tolentino de Lima, que já foi reitor da instituição por duas gestões.

Estelionato
Indicado por Jair Bolsonaro (PL) em dezembro de 2019, Alexandro Marinho Oliveira conduziu o processo de Estatuto da UFDPar, no auge da pandemia da Covid-19 em 2020, sem debate com comunidade acadêmica.

Também na sua gestão, como forma de coibir e intimidar a comunidade acadêmica que se organizava para uma assembleia geral, um estudante do curso de Psicologia da universidade foi detido em sala de aula, em agosto passado, por ter feito desenhos em um banco da instituição. A Polícia Militar foi acionada pela reitoria da universidade.

Ainda no mesmo mês, a Adufpi SSind. - Regional Parnaíba apresentou denúncia ao Ministério Público Federal (MPF) para apuração de indícios de atos de improbidade administrativa praticados pelo reitor interventor. A denúncia também solicitava o afastamento tutelar de Oliveira do cargo. 

Meses depois, em dezembro passado, Alexandro Marinho foi indiciado por estelionato. A investigação do caso foi realizada pelo 12º Distrito Policial, em Teresina (PI).  De acordo com o delegado, que presidiu o inquérito policial, as e os denunciantes, supostos clientes, fecharam um contrato com a construtora que pertence ao ex-reitor da UFDPar para a construção de um imóvel no valor estimado de R$ 600 mil em um condomínio da capital. No entanto, o imóvel não foi entregue. O inquérito foi concluído no dia 20 de dezembro de 2022, após ser constatada a autoria do crime e a materialidade das provas.

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