A Diretoria do ANDES-SN repudia veementemente a ação violenta e truculenta da Polícia Militar do Estado de São Paulo, que resultou na desocupação da Reitoria da Universidade de São Paulo - USP, na madrugada de 10 de maio de 2026, contra estudantes que ocupavam o prédio desde 07/05/2026, em luta por melhores condições de permanência estudantil na USP.
A operação policial, marcada pelo uso de bombas, gás lacrimogêneo, agressões físicas, detenções arbitrárias e práticas humilhantes, evidencia uma escalada repressiva incompatível com os princípios democráticos que devem orientar a vida universitária. É extremamente grave que reivindicações estudantis legítimas sejam respondidas com violência policial em uma das universidades de maior referência acadêmica e científica da América Latina.
O episódio torna-se ainda mais preocupante diante do abandono, por parte da Reitoria da USP, dos canais de diálogo e de negociação. As(os) estudantes buscavam retomar as negociações após o encerramento unilateral das tratativas por parte da Reitoria, anunciado pela própria Reitoria à imprensa durante a reunião de negociação da data-base entre o Fórum das Seis e o CRUESP na última segunda-feira, dia 04/05/2026. A ocupação da reitoria expressava a justa reivindicação de um espaço legítimo de interlocução e de diálogo político, condição básica de uma universidade comprometida com a democracia interna e com a educação pública e de qualidade.
Ao optar pela repressão e pela intervenção da PM contra integrantes da própria comunidade universitária, a administração central da USP contribuiu para o agravamento de uma situação que poderia e deveria ter sido resolvida por meio do diálogo. A naturalização da presença policial como instrumento de resolução de conflitos internos representa uma grave ameaça à autonomia universitária, às liberdades democráticas e ao direito à organização e à manifestação.
O ANDES-SN manifesta solidariedade às(aos) estudantes agredidas(os), feridas(os) e detidas(os) durante a ação policial, bem como a toda a comunidade uspiana, que amanheceu, no Dia das Mães, em choque e perplexa diante das cenas de repressão e violência contra estudantes da USP.
Reafirmamos que a universidade deve cumprir seu papel social e, sobretudo, pedagógico, na construção de formas democráticas de resolução de conflitos e não recorrer à violência de Estado para silenciar a legítima mobilização estudantil.
Em defesa de melhores condições de permanência estudantil!
Pela imediata retomada das negociações com o movimento estudantil da USP!
Lutar não é crime!
Brasília, 11 de maio de 2026.
Diretoria do ANDES - Sindicato Nacional